Do Professor Pedro Paulo de Miranda, sobre o reajuste concedido aos
professores, o achatamento da carreira e a greve do magistério no blog do Moacir Pereira:
"Comparar reajustes salariais entre diferentes categorias profissionais é um argumento que não se sustenta.
Desde que o magistério público catarinense, em assembleia realizada em
Florianópolis, no último dia 17 de abril fez opção pela greve, com
início para 23 do corrente mes, venho escutando os mais diversos
argumentos sejam esses “a favor ou contra a greve”. Mas, dentre eles,
um em especial é de chamar atenção pelo impacto que pode causar diante
do leitor e ouvinte pouco informado e quem sabe desavisado. Porém,
quando o argumento é posto a reflexão e discussão perde o poder
impactante de quem utiliza desse expediente para afirmar as suas
posições obtusas. Pois bem, o argumento é utilizado ora em tom de
questionamento, sendo: Quem teve mais de 100% de aumento de salário, de
seus vencimentos, do seu salário base? E em tom de afirmação: O
magistério foi à única categoria profissional que teve aumento de 100%
nos últimos anos.
Para abordar o ponto que não se sustenta parto da assertiva de que
determinadas comparações são indevidas, inapropriadas e desastrosas,
explicando as razões.
1º: Os reajustes são diferenciados para categorias profissionais
diferenciadas, ou seja, o profissional que busca a
capacitação/atualização frequente deve ser valorizado de forma distinta
e jamais “punido” porque buscou se profissionalizar;
2º: O profissional do magistério público está abrigado/amparado pela
Lei nº. 11738/2008. Esta legislação distingue o magistério das demais
categorias profissionais, determinando um reajuste anual e que deve
ocorrer no mês de janeiro (faça-se saber que o governo federal repassa
ao Estado o percentual definido, portanto, cabe ao Estado repassá-lo
sem quaisquer ônus para os cofres públicos);
3º: Não é pertinente nivelar os salários e os seus reajustes “por
baixo”, ou seja, observando que determinada categoria profissional
recebeu um reajuste diferenciado (superior), frise-se, por merecimento
e profissionalização, sendo de competência dos demais profissionais
(público e/ou privado) elegerem estratégias/conversações/diálogo para
ser merecedor dessa conquista;
4º: Não lidamos com “coisas” que se negocia no mercado, mas com
formação humana. Estamos falando de precisamente 640 mil alunos
distribuídos entre 25 a 40 crianças, adolescentes e adolescentes
adultos por sala de aula, cujo trabalho docente se alterna entre os
períodos matutinos, vespertinos e noturnos, levando em grande parte, os
professores a uma tripla jornada de trabalho;
5º: Muitas vezes, o profissional da educação acompanha os seus alunos,
por três ou quatro anos, sendo essa, de muita responsabilidade,
considerando que estes formarão famílias, “engrossarão” o mercado de
trabalho, serão eleitores e “fazedores” de algo melhor do que temos
hoje (quem sabe até, na política e dentre os futuros políticos). Lembro
ainda que, a palavra ensinar é de origem latina e significa “marcar”.
Logo, “ensinar é marcar”.
Pelas razões expostas, não procuramos estabelecer um “ranking” entre as
profissões, supervalorizando essa ou aquela, mas deixar patente que as
categorias profissionais são diferentes, e por serem diferentes é
inapropriado e inadvertido comparar, porque na particularidade cada
categoria é única (com o perdão de Karl Marx). E neste particular, cabe
a cada uma revelar o quão importante, digna e merecedora é, sobretudo,
de salários justos.
É isto que estamos fazendo!"
Fonte:
http://wp.clicrbs.com.br/moacirpereira/2012/04/24/o-magisterio-e-o-debate-sobre-salarios/?topo=67,2,18,,,67#comments
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